segunda-feira, 29 de julho de 2019

Fitoterápicos estimuladores da testosterona – vale a pena investir?

Existem diversas plantas medicinais as quais são atribuídas propriedades afrodisíacas e que poderiam funcionar como potencializadores da secreção de testosterona. Entre elas podemos destacar o Tribulus terrestris, a maca peruana, o extrato de Long Jack (Eurycoma longifolia Jack), a mucuna (Mucuna pruriens), a ashwagandha (Withania somnifera) e o feno-grego (Trigonella foenum-graceum L., Fabaceae). Destas, a mais conhecida e estuda é o Tribulus terrestris, que é uma planta da família Zygophyllaceae. Ele possui em sua composição princípios ativos como flavonoides, alcaloides, saponinas, lignina, amidas e glicosídeos.  A crença popular afirma que o Tribulus terrestris seria capaz de aumentar a produção de testosterona devido a ação desses fitocomponentes. No entanto, os estudos clínicos não mostram aumento da produção de testosterona nem melhora da composição corporal ou da performance esportiva com o uso desta erva.

Tribulus terrestris
Imagem: Wikepedia
Em um estudo randomizado duplo cego controlado com placebo jogadores de rugby de elite foram submetidos a treinamento de força associado a dieta hipercalórica e rica em proteínas. O grupo intervenção usou 450 mg por dia de Tribulus, durante cinco semanas. Não houve ganho de massa magra nem de desempenho físico em relação ao placebo. Em outro estudo, homens jovens saudáveis, seguindo dieta controlada, não apresentaram melhora na composição corporal ou na força após oito semanas de suplementação com 3,21 mg/kg/dia de Tribulus, quando comparados ao placebo. Uma revisão sistemática feita em 2014 mostrou que a eficácia de Tribulus em relação ao aumento da testosterona é limitada ou inexistente.
Nessa mesma revisão, as únicas duas plantas afrodisíacas que mostraram algum grau de aumento na secreção de testosterona foram a mucuna e a ashwagandha (151 e 143 ng/dL, respectivamente) quando utilizadas por um período de 12 semanas em pacientes com oligozoospermia. Os autores também destacam que havia muita heterogeneidade entre os estudos, que em sua maioria possuíam pequeno número de pacientes e curtos períodos de seguimento, o que impossibilita qualquer conclusão sobre os desfechos clínicos do uso dessas ervas afrodisíacas a longo prazo.
Tendo em vista a falta de estudos clínicos e os resultados limitados deste fitoterápicos, a recomendação é evitar o uso até que haja dados mais conclusivos sobre o tema.

Referências :
1- GamalEl Din SF. Role of Tribulus terrestris in Male Infertility: Is It Real or Fiction? J Diet Suppl. 2018 Nov 2;15(6):1010-1013.
2- Santos HO, Howell S, Teixeira FJ. Beyond tribulus (Tribulus terrestris L.): The effects of phytotherapics on testosterone, sperm and prostate parameters. J Ethnopharmacol. 2019 May 10;235:392-405.

Yuri Galeno Pinheiro Chaves de Freitas
Médico Endocrinologista
CRM-RN 4.878 - RQE 2.959

Texto revisado pelo Departamento de Endocrinologia Feminina e Andrologia.

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