segunda-feira, 30 de setembro de 2019

Mitos sobre a pregnenolona: neuroesteroide com função cognitiva?

O que é a pregnenolona afinal?

A pregnenolona é um esteroide que se origina a partir da clivagem do colesterol dentro de um compartimento celular denominado mitocôndria. A pregnenolona é um precursor dos principais hormônios esteroides, ou seja, vai sofrer uma série de reações enzimáticas e pode dar origem ao cortisol, aldosterona, progesterona e a um tipo de andrógeno (hormônio masculino) mais fraco denominado dehidroepiandrosterona (DHEA). A formação do cortisol e da aldosterona ocorre somente nas glândulas suprarrenais, já a formação da progesterona e do DHEA pode ocorrer nas adrenais e no ovário.


Hormônio com ação no sistema nervoso central

Recentemente, estudos em ratos demonstraram que a pregnenolona tem ação no sistema nervoso central, sendo então denominada de neuroesteroide. A pregnenolona age nos receptores do neurotransmissor ácido gama-aminobutírico (GABA), o principal neurotransmissor inibitório no sistema nervoso central. A ativação do sistema GABA leva a redução da atividade cerebral. Já a pregnenolona inibe a ligação do GABA aos seus receptores, impedindo a sua ação em inibir a atividade cerebral.


Ainda faltam evidências de benefício

Por causa desse efeito da pregnenolona em inibir o sistema GABA, muito tem sido falado sobre potenciais benefícios da pregnenolona em melhorar memória, atenção e em impedir a perda cognitiva durante o envelhecimento. Apesar disso, os estudos em humanos mostram, até o momento, que os benefícios citados acima ainda não foram confirmados. Em humanos, o tratamento com pregnenolona já foi realizado em pacientes com doenças neuropsiquiátricas, como esquizofrenia, transtorno de ansiedade generalizada, fobia social, entre outras. O único benefício foi demonstrado em indivíduos com esquizofrenia, que apresentaram melhora dos sintomas negativos e da função cognitiva (principalmente atenção) após 8 semanas de tratamento com pregnenolona, mas sem nenhum efeito na memória.


A pregnenolona não deve ser usada para melhorar a memória nem prevenir o envelhecimento

Não existem até o momento, estudos bem conduzidos que avaliem os benefícios da pregnenolona em melhorar os déficits cognitivos e a perda de memória em pessoas durante o processo normal de envelhecimento. Dessa forma, o uso da pregnenolona não está indicado com o propósito de melhorar a memória e atenuar as perdas cognitivas do processo de envelhecimento.

Referência:
1- Ratner et al. Neurosteroid Actions in Memory and Neurologic/Neuropsychiatric Disorders. Frontiers in Endocrinology 2019; 10:169.

Dr. Madson Queiroz de Almeida
Médico Endocrinlogista
Professor Livre-Docente da Disciplina de Endocrinologia e Metabologia do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Presidente do Departamento de Adrenal e Hipertensão da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (biênio 2019/2020)
CRM-SP 102.257

segunda-feira, 23 de setembro de 2019

Uso de anabolizantes para melhorar a massa muscular em idosos: vale a pena?

O paciente idoso deve usar anabolizantes para melhorar a massa muscular?
A resposta é simples: NÃO.
Vejamos detalhadamente as razões para essa resposta:

Imagem: FE Warren Air Force Base

1) Não há evidências na literatura científica que confirmem que substâncias anabolizantes consigam melhorar a força muscular.

Nem esteroides semelhantes a testosterona - como ésteres de testosterona (Deposteron, por exemplo) ou nandrolona (Decadurabolin) – nem o hormônio do crescimento são considerados efetivos no tratamento da perda muscular. Eles aumentam o músculo, provocam retenção de água, mas não tornam o músculo mais forte e potente. Sem a força muscular adequada, o idoso perde a própria autonomia e se torna muito dependente da ajuda de outras pessoas para realizar suas atividades habituais. Além disso, ele corre grande risco de quedas e consequentemente de fraturas, hospitalizações e morte.
A perda de massa e de força musculares constitui uma doença denominada sarcopenia frequentemente associada a problemas cardíacos, respiratórios, e problemas de cognição. O diagnóstico dessa doença é facilmente realizado pela aplicação de um questionário prático e accessível composto por 5 perguntas sobre a capacidade do indivíduo de levantar peso, de se levantar de uma cadeira, de caminhar, de subir escadas e sobre a ocorrência de quedas. A presença de uma circunferência de panturrilha inferior a 31 cm aumenta a probabilidade de sarcopenia.
Recentemente, foi publicado o Consenso Europeu de Sarcopenia que salientou a importância da avaliação não apenas da massa muscular, mas também da força muscular, especialmente em indivíduos idosos. Sendo assim, medicamentos que não melhoram consistentemente a força muscular, não podem ser considerados eficazes e consequentemente não devem ser usados pelos pacientes portadores de sarcopenia.


2) Anabolizantes podem causar efeitos colaterais indesejáveis, múltiplos, graves e muito prejudiciais para o sistema cardíaco e vascular, especialmente. 

Eles aumentam os níveis do LDL colesterol (“colesterol ruim”) e reduzem os níveis de HDL colesterol (“colesterol bom”). Também elevam a pressão arterial e podem aumentar a quantidade de gordura dentro do fígado o que aumenta o risco de várias doenças como diabetes e infarto.


3) O melhor tratamento da sarcopenia é a prevenção. 

A perda de massa muscular é mais precoce do que se imaginava! A partir dos 50 anos, já começa a ocorrer uma mudança na composição corporal com perda substancial de massa magra. A sarcopenia acomete 5-13% dos indivíduos com 60 a 70 anos e até 50% dos indivíduos com mais de 80 anos. Portanto, durante a infância e a adolescência, é fundamental maximizar o ganho de força muscular. Na fase adulta, ao menos, se deve manter a força muscular para então prevenir a perda na fase do envelhecimento.


4) A adoção de uma dieta equilibrada é fundamental para a saúde muscular.

Uma dieta com teor adequado de calorias, de proteínas, vitaminas e minerais minimiza a perda muscular. Os anabolizantes não substituem uma dieta adequada e bem equilibrada!


5) O anabolizante não substitui o exercício resistido!

Com cargas ou com a sustentação do próprio corpo, o exercício resistido, quando é adequadamente orientado, promove ganhos efetivos de massa e de força musculares. Durante a contração, o músculo libera substâncias denominadas miocinas fundamentais para a preservação do ganho de massa e força musculares. Além disso, essas substâncias exercem vários benefícios: previnem perda óssea, melhoram o metabolismo da glicose e transformam o tecido adiposo branco que passa a ser mais ativo ou seja passa a liberar energia, ao invés de acumular gordura. Em repouso, por outro lado, o músculo produz miostatina que impede o crescimento muscular. Sendo assim, quando não praticamos exercício, passamos a ter uma grande doença – o sedentarismo que piora, e muito, nossa massa e força musculares.

Portanto, caro portador de sarcopenia, adote uma dieta equilibrada, pratique exercício e assim, trate adequadamente a sarcopenia

Referências:
1- Barbosa-Silva TG, Menezes AMB, Bielemann RM, Malmstrom TK, Gonzalez MC. Enhancing SARC-F: Improving Sarcopenia Screening in the Clinical Practice. JAMDA, 2016: 17, Issue 12, Pages 1136–1141.doi: https://doi.org/10.1016/j.jamda.2016.08.004
2- Cruz-Jentoft AJ, Baeyens JP, Bauer JM et al. Sarcopenia: European consensus on definition and diagnosis: report of the European working group on sarcopenia in older people. Age Ageing 2010; 39: 412–23.
3- Cruz-Jentoft AJ, Bahat G JP, Bauer JM et al. Sarcopenia: revised European consensus on definition and diagnosis. Age and Ageing 2019; 48: 16–31 doi: 10.1093/ageing/afy169 39: 412–23.
4- Dent JE, j.e. Morley JE, Cruz-Jentoft AJ, Arai H, Kritchevsky SB, Guralnik J, International Clinical Practice Guidelines for Sarcopenia (ICFSR): screening, diagnosis and management. Nutr Health Aging. 2018;22(10):1148-1161
5- Hittel, DS., Axelson M, Sarna N, Shearer J, Huffman KM, Kraus WE. Myostatin Decreases with Aerobic Exercise and Associates with Insulin . Med. Sci. Sports Exerc, 2010; 42(11): 2023–2029.

Dra. Andréa Messias Britto Fioretti
Médica Endocrinologista – CRM-SP 61414 - RQE 65.451
Mestrado em Endocrinologia Clínica pela Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP
Especialista em Medicina do Exercício e do Esporte pela Universidade Federal de São Paulo – UNIFESP
Coordenadora do Ambulatório de Endocrinologia do Exercício, junto ao Serviço de Medicina do Esporte da UNIFESP
Membro do Departamento de Diabetes, Exercício e Esportes da Sociedade Brasileira de Diabetes
Membro da Comissão Temporária de Estudos em Endocrinologia do Exercício da SBEM

Texto revisado pela Comissão Temporária de Estudos em Endocrinologia do Exercício.

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

Diabettic (adesivo antidiabetes): não caia nesse golpe!

A  suposta "bala mágica"...

Há poucos dias, viralizou na internet um anúncio sobre um adesivo capaz de curar o diabetes. O dispositivo, batizado de Diabettic, seria supostamente capaz de “estabilizar definitivamente o quadro de diabetes tipo 1 e 2”. Ainda de acordo com o site, “através de sua fórmula exclusiva, combinando compostos 100% naturais, Diabettic foi testado e 'unanimemente' aprovado”.

O site também prometia a cura da neuropatia diabética (uma complicação do diabetes nos nervos), efeitos rápidos (em 15 dias), 100% de eficácia e o fim da dependência de medicamentos e de seus efeitos nocivos ao organismo. Esses efeitos foram atestados por um suposto médico endocrinologista chamado de Gerônimo Telmann, cuja foto foi divulgada no site. Tudo isso, por um preço que variava de R$ 9,90-24,50 por adesivo, a depender do pacote comprado (com 6, 18 ou 30 adesivos).

Imagem veiculada no anúncio do suposto tratamento

...é somente mais um golpe!

Infelizmente, tudo não passava de um GIGANTESCO golpe. As substâncias listadas no adesivo não têm respaldo científico para o tratamento do diabetes ou de qualquer uma de suas complicações. Não há registros de estudos clínicos que corroborem a utilização desse dispositivo em seres humanos. O suposto Dr. Gerônimo Telmann também não consta no site do Conselho Federal de Medicina, tampouco nos registros da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia.

Outros pontos merecem comentários sobre o site: o registro é “.com” e não “.com.br”, sugerindo que é criado numa conta fora do Brasil. Não existe nenhum nome de empresa ou CNPJ na divulgação. Não existe um endereço para correspondência; apenas um número de telefone celular. Todos os indicativos de que a pessoa por trás desse golpe não quer ser identificada.


Não é a primeira vez que um "produto natural" promete benefícios milagrosos

Esta não é a primeira vez que supostos produtos naturais com benefícios milagrosos para o diabetes viralizam nas redes sociais. Substâncias como água de quiabo, suco de maxixe, farinha da casca do maracujá e os mais variados chás (chá verde, camomila, hibisco, supervit, pata de vaca, ban-chá, carqueja, sálvia e chá preto)[1] já foram apontados como remédios ou curas para o diabetes em sites de origem duvidosa. Muitas vezes, esses produtos são também colocados à venda na internet.


Pacientes com diabetes são alvos frequentes de charlatões

Mas quais as motivações para as práticas de charlatanismo relacionadas ao diabetes? Sem dúvida, a principal delas é a existência de um mercado favorável. Pense bem: quantas pessoas você conhece que se interessariam por comprar uma possível cura para o diabetes?

A Sociedade Brasileira de Diabetes estima que existam mais de 14 milhões de pessoas com diabetes no Brasil.[2] De acordo com o VIGITEL BRASIL 2018, a frequência do diagnóstico médico de diabetes em adultos nas 27 capitais brasileiras é de 7,7%, sendo maior entre as mulheres (8,1%) do que entre os homens (7,1%).[3] Ou seja: é muita gente! Somado a isso o fato do diabetes ser uma doença crônica cujos custos associados ao tratamento são frequentemente elevados, a venda de qualquer “cura” para esse problema se torna uma alternativa atrativa para o público e extremamente lucrativa para os charlatões.


Tratamentos falsos podem causar prejuízos graves

Em um mercado onde faltam escrúpulos, precisamos estar atentos. A interrupção do tratamento com insulina em pacientes com diabetes tipo 1 (forma mais comum de diabetes em crianças) pode levar à morte por cetoacidose diabética em poucos dias. Efeitos desastrosos podem ocorrer também em pacientes com diabetes tipo 2 (forma mais comum da doença). Por isso, diante de qualquer informação sobre novas alternativas de tratamento para qualquer doença, todo cuidado é pouco. Aqui, vale a máxima “quando a esmola é demais, o santo desconfia”.


Aprenda a identificar anúncios falsos e fake news

Com um pouco de atenção, é possível se identificar diversos elementos que sugerem que o Diabettic se trate de um golpe. São evidentes a “polarização” (“remédio natural barato” x “remédio caro da indústria”), a “promessa de cura de doença crônica”, a “falta de rigor científico” etc. Para auxiliá-los nesse processo, sugiro a leitura das doze dicas para identificar charlatanismo,[4] aqui no blog.
É inegável o enorme potencial das redes sociais para o compartilhamento de informações relacionadas à saúde. Infelizmente, as informações compartilhadas nem sempre são confiáveis. Tome muito cuidado com esses produtos “milagrosos” vendidos pela Internet. Não coloque sua vida ou de seus familiares em risco. Antes de tomar qualquer atitude relacionada à sua saúde ou ao tratamento de qualquer doença sua ou de seus familiares, consulte um médico de sua confiança. Esse ainda é o melhor remédio para não cair nas armadilhas criadas pelos charlatões!

Referências:
1- Sociedade Brasileira de Diabetes. Chás e ervas são capazes de auxiliar no tratamento e combate do diabetes? Coluna Diabetes em Debate; 2019. Disponível em: <https://www.diabetes.org.br/publico/diabetes-em-debate/1828-coluna-verdadeiro-ou-falso-4-chas-e-ervas-sao-capazes-de-auxiliar-no-tratamento-e-combate-do-diabetes>.
2- Sociedade Brasileira de Diabetes. Mais de 14 milhões de pessoas têm diabetes no Brasil e 72 mil morrem todos os anos no país. SBD na Imprensa; 2016. Disponível em: <https://www.diabetes.org.br/publico/para-voces/sbd-na-imprensa/1413-mais-de-14-milhoes-de-pessoas-tem-diabetes-no-brasil-e-72-mil-morrem-todos-os-anos-no-pais>.
3- Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Análise em Saúde e Vigilância de Doenças não Transmissíveis. Vigitel Brasil 2018: vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico: estimativas sobre frequência e distribuição sociodemográfica de fatores de risco e proteção para doenças crônicas nas capitais dos 26 estados brasileiros e no Distrito Federal em 2018 / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Departamento de Análise em Saúde e Vigilância de Doenças não Transmissíveis. – Brasília: Ministério da Saúde, 2019. Disponível em: <https://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2019/julho/25/vigitel-brasil-2018.pdf>.
4- Severo MD. Doze dicas para identificar charlatanismo. Blog da Comissão de Valorização de Novas Lideranças da SBEM; 2019. Disponível em: <https://novasliderancassbem.blogspot.com/2019/06/doze-dicas-para-identificar.html>.

Dr. Wellington Santana da Silva Júnior
Endocrinologista e Metabologista
Professor da Disciplina de Endocrinologia da UFMA
Doutor em Ciências pela UERJ 
Presidente da CVNL da SBEM - Biênio 2019/2020
CRM-MA 5188 - RQE 2739

Texto revisado pelo Presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, Dr. Rodrigo O. Moreira.

segunda-feira, 9 de setembro de 2019

Câncer medular de tireoide: quando suspeitar e como avaliar

O câncer medular de tireoide (CMT) é responsável por 3-4% das neoplasias malignas da glândula tireoide. O CMT apresenta-se na forma esporádica ou hereditária (20-25%). Na forma hereditária, é um dos componentes da síndrome genética neoplasia endócrina múltipla tipo 2 (NEM 2). Mutações no gene RET são responsáveis pela forma hereditária da neoplasia e o diagnóstico molecular é fundamental no manejo do CMT. No texto abaixo vamos responder algumas dúvidas frequentes relacionadas a este câncer.

Imgem: Flickr

1. Quando devemos suspeitar do CMT?

A manifestação clínica mais comum do CMT é o nódulo tireoidiano. Deve-se suspeitar especificamente de CMT quando houver história familiar de câncer de tireoide e/ ou mutação no gene RET e/ou associação com outros tumores como feocromocitoma, hiperparatireoidismo, e/ou achados típicos ao exame físico, como o líquen amiloide cutâneo e neuromas de mucosa.


2. Quais os indivíduos com CMT que devem realizar o exame molecular do gene RET?

O rastreamento genético deve ser realizado em todos os pacientes com diagnóstico CMT. Aproximadamente 4-10% dos pacientes com CMT sem historia familiar apresentam mutações germinativas do RET. A pesquisa de mutações do gene RET é fundamental na avaliação diagnóstica e no planejamento terapêutico nos indivíduos com CMT.


3. Em quais casos os familiares de um paciente com CMT devem ser avaliados? Qual a importância da avaliação molecular do RET nesses indivíduos?

O CMT hereditário possui transmissão autossômica dominante, assim, a probabilidade de transmissão entre as gerações é de 50%. Após a identificação de um paciente portador de mutação no RET (caso índice), todos seus familiares de primeiro grau devem ser submetidos à avaliação genética. A análise molecular do RET nos familiares é mandatória, pois possibilita o diagnóstico e tratamento precoce, com consequente melhora no prognóstico.


4. Como é feito o exame genético para pesquisa de mutação no gene RET?

A análise é feita através de um exame de sangue, com coleta de uma amostra de sangue como qualquer outro exame. Diversos centros no Brasil fazem essa análise sem custo para os pacientes, com recursos de pesquisa. Para maiores informações, os médicos podem acessar e se cadastrar no site da Conexão Brasileira de Câncer de Tireoide (http://www.conexaotireoide.com.br/).


Referências: 
1 - Maia AL, Siqueira DR, Kulcsar MA, Tincani AJ, Mazeto GM, Maciel LM. Diagnóstico, tratamento e seguimento do carcinoma medular de tireoide: recomendações do Departamento de Tireoide da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. Arq Bras Endocrinol Metabol. 2014 Oct;58(7):667-700.
2 - Wells SA Jr, Asa SL, Dralle H, Elisei R, Evans DB, Gagel RF, Lee N, Machens A, Moley JF, Pacini F, Raue F, Frank-Raue K, Robinson B, Rosenthal MS, Santoro M, Schlumberger M, Shah M, Waguespack SG; American Thyroid Association Guidelines Task Force on Medullary Thyroid Carcinoma. Revised American Thyroid Association guidelines for the management of medullary thyroid carcinoma. Thyroid. 2015 Jun;25(6):567-610.
3 - Maciel RMB, Camacho CP, Assumpção LVM, Bufalo NE, Carvalho AL, de Carvalho GA, Castroneves LA, de Castro FM Jr, Ceolin L, Cerutti JM, Corbo R, Ferraz TMBL, Ferreira CV, França MIC, Galvão HCR, Germano-Neto F, Graf H, Jorge AAL, Kunii IS, Lauria MW, Leal VLG, Lindsey SC, Lourenço DM Jr, Maciel LMZ, Magalhães PKR, Martins JRM, Martins-Costa MC, Mazeto GMFS, Impellizzeri AI, Nogueira CR, Palmero EI, Pessoa CHCN, Prada B, Siqueira DR, Sousa MSA, Toledo RA, Valente FOF, Vaisman F, Ward LS, Weber SS, Weiss RV, Yang JH, Dias-da-Silva MR, Hoff AO, Toledo SPA, Maia AL. Genotype and phenotype landscape of MEN2 in 554 medullary thyroid cancer patients: the BrasMEN study. Endocr Connect. 2019 Mar 1;8(3):289-298.  

Dra. Ana Luiza Silva Maia
CRM-RS 21.605 – RQE 25.839
Pesquisadora líder do Grupo de Pesquisa Bócios e Neoplasias da Tireoide, com projetos aprovados nas diversas agências de fomento nacional (CNPq, PPSUS/FAPERGS, FIPE/HCPA) e internacional (NIH). Membro/Coordenadora do Comitê Assessor de Medicina do CNPq (2012-2015). Membro da task force para elaboração dos guidelines para o Diagnóstico e Manejo do Hipertireoidismo 2016 da American Thyroid Association e membro do Annual Meeting Steering Committee da Endocrine Society (2016-2018).

Divisão de Tireoide do Serviço de Endocrinologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre

Texto revisado pelo Departamento de Tireoide em setembro de 2019.

segunda-feira, 2 de setembro de 2019

Uso de esteroides anabolizantes: um breve histórico do problema

Uso indevido de esteroides androgênicos, um velho problema

O uso de esteroides androgênicos para melhorar o desempenho físico, ao contrário do que se possa imaginar, é tema antigo na prática médica. Em 1893, um médico idoso chamado Brown-Séquard reportou “um ganho importante de força” após auto injetar um “fluido testicular” desenvolvido em laboratório de animais. Esta descoberta criou bastante entusiasmo e marcou o início da andrologia. Após algum tempo, já na década de 1930, começaram a ser desenvolvidos os primeiros andrógenos sintéticos derivados da testosterona. Desde então, diversos esteroides androgênicos foram sintetizados e aprovados para o tratamento de diversos problemas de saúde, incluindo deficiência de testosterona, caquexia, osteoporose, atraso no desenvolvimento da puberdade e até câncer de mama.



Ganho de massa muscular, as custas de efeitos adversos potencialmente graves

Os derivados sintéticos da testosterona possuem graus variados de atividade androgênica e anabólica, isto é, são capazes de aumentar a massa muscular, queimar gordura e melhorar o desempenho esportivo. Contudo, o uso de esteroides anabolizantes não se faz sem um custo muito alto à saúde. Efeitos adversos são frequentes e incluem toxicidade ao fígado e coração, aumento da viscosidade sanguínea (policitemia) com risco de trombose, aumento das gorduras do sangue (colesterol e triglicerídeos), pressão alta, depressão, crescimento de mamas em homens (ginecomastia), atrofia dos testículos, problemas sexuais e infertilidade em graus variados.


Falta de informação confiável dificulta a abordagem do problema

Como a maioria dos usuários destas substâncias não costuma procurar atenção médica, a literatura científica ainda carece de informações principalmente sobre as sequelas causadas pelo seu uso. Isso é problemático, pois o usuário não vê o médico como alguém com capacidade de fornecer informações apropriadas e acaba por buscá-las na internet ou com outros usuários. Já o médico, por não ter acesso a estudos confiáveis, fica desconfortável em abordar o assunto e acaba por adotar uma postura repressiva. Esta falta de empatia afasta paciente e médico, e o assunto vira tabu.


#BombaTôFora, uma luz no fim do túnel

Com o intuito de melhorar a assistência, prevenindo o uso e tratando as complicações, tanto médicos quanto pacientes devem estar dispostos a dialogar abertamente e a estudar sobre o assunto. Só desta maneira cooperativa, seremos capazes de construir conhecimento apropriado e confiável sobre o uso de esteroides anabolizantes. O projeto #BombaTôFora, apoiado pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, cumpre muito bem esta função.

Referência:
1- Pope HG Jr, Wood RI, Rogol A, Nyberg F, Bowers L, Bhasin S. Adverse health consequences of performance-enhancing drugs: an Endocrine Society scientific statement. Endocr Rev. 2014 Jun;35(3):341-75.

Dr. Mateus Dornelles Severo
Médico Endocrinologista
Doutor e Mestre em Endocrinologia pela UFRGS
CRM-RS 30.576 - RQE 22.991

Texto revisado pelo Dr. Ricardo Meirelles, presidente da Comissão de Comunicação Social da SBEM.

domingo, 1 de setembro de 2019

1 de setembro - Dia do Endocrinologista

Parabéns a todos os Endocrinologistas pelo seu dia! Que sigamos realizando o nosso trabalho com amor e honradez, sempre pautados na ciência e na ética!


A SBEM fica extremamente feliz em poder comemorar a data de forma tão especial este ano! Há poucos dias, o Parlamento Brasileiro aprovou o projeto de lei que cria o Dia Nacional do(a) Endocrinologista - 1 de Setembro, durante a reunião da Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado Federal. Uma merecida vitória de todos os Endocrinologistas brasileiros!
Você quer saber o que faz um Endocrinologista? Consulte aqui, no site da SBEM: https://www.endocrino.org.br/areas-da-endocrinologia/

Dr. Wellington Santana da Silva Júnior 
Presidente da CVNL da SBEM - Biênio 2019/2020
CRM-MA 5188 - RQE 2739

Hipertireoidismo durante a gravidez

Doença pouco frequente em gestantes O hipertireoidismo é o estado de hiperfuncionamento da glândula tireoide, isto é, de produção aumentada ...