terça-feira, 17 de dezembro de 2019

Mensagem de boas festas da Comissão de Valorização de #NovasLIderancasSBEM

Final de ano é tempo de reflexão. Momento para pensar em tudo o que se fez nos últimos doze meses. Orgulhar-se dos acertos, aprender com os erros e programar as ações para o ano seguinte. Para nós da Comissão de Valorização de Novas Lideranças (CVNL) da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), o balanço de 2019 foi extremamente positivo! Temos muitos motivos para comemorar e, sobretudo, para agradecer.


Conseguimos reativar as mídias sociais da CVNL. Criamos uma nova identidade visual e conteúdos devidamente embasados para o público em geral. Seguimos firmes com a periodicidade minimamente semanal dessas publicações e vimos o número de seguidores crescer gradativamente. A hashtag #NovasLiderancasSBEM ganhou o reconhecimento dos endocrinologistas e o compartilhamento de conteúdo repercutiu nas métricas dos canais de comunicação da própria Sociedade. Aproveitamos para agradecer aos Departamentos Científicos da SBEM pelo apoio quanto à revisão desse material, garantindo a qualidade das informações divulgadas.

Elaboramos também o livro TEEM Volume I – Preparação para Título de Especialista em Endocrinologia e Metabologia, com 300 questões de múltipla escolha e 30 casos clínicos comentados das provas de 1ª e 2ª fases do TEEM nos anos de 2014, 2015 e 2016. Lançado no Congresso Brasileiro de Atualização em Endocrinologia e Metabologia (CBAEM 2019), o livro foi cuidadosamente preparado por uma equipe de 15 colaboradores titulados pela SBEM, sem os quais esse projeto não teria sido possível. O TEEM Volume I já se tornou um instrumento valioso na preparação de novos candidatos para a prova de Título e alcançou a marca de livro mais vendido durante o CBAEM 2019!

Participamos também da divulgação das Campanhas da SBEM, bem como dos comentários das questões de prova do curso de Endocrinologia e Metabologia Baseada em Exercícios (EMBE), o programa de educação médica continuada da Sociedade.

E não vamos parar por aí! As mídias sociais da CVNL seguirão a todo vapor em 2020 e já estamos trabalhando no Volume II do Livro do TEEM, que incluirá as provas de 2017, 2018 e 2019 (com previsão de lançamento ainda no início de 2020 – fiquem atentos às novidades no site da SBEM e no nosso Blog).

No mais, gostaríamos de agradecer a todos que se juntaram a nós em 2019, combatendo fake news na saúde, compartilhando os conteúdos da CVNL e sugerindo temas a serem abordados em nosso Blog, Instagram e Facebook. Após o recesso nas próximas duas semanas, seguiremos juntos com vocês em 2020!

Desejamos a todos um feliz Natal e um ano novo repleto de paz, saúde e prosperidade!

Dr. Wellington Santana da Silva Júnior
Presidente da CVNL da SBEM - Biênio 2019/2020
Prof. Adjunto da Disciplina de Endocrinologia da UFMA
CRM-MA 5188 - RQE 2739

segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

Avaliação hormonal dos incidentalomas adrenais

A avaliação das lesões das glândulas adrenais descobertas ao acaso, ou incidentalomas, procura responder duas perguntas:
1- A lesão é maligna?
2- A lesão secreta algum hormônio?
Neste texto, vamos entender como o médico endocrinologista faz para responder a segunda questão.

Imagem: Wikimedia Commons


A grande maioria dos pacientes com incidentalomas adrenais não apresentam manifestações clínicas de excesso de produção hormonal. Uma revisão de diversos estudos compilou dados de cerca de 1800 pacientes. Destes, quase 90 por cento não apresentavam manifestações clínicas sugestivas de alteração nos hormônios da adrenal. O excesso de cortisol (síndrome de Cushing) foi flagrado em 6,4 por cento dos casos. Já a produção excessiva de metabólitos da adrenalina/noradrenalina e de aldosterona, substâncias que podem causar aumento da pressão arterial, foi de 3,1 e 0,6 por cento, respectivamente. Provavelmente a frequência de produção de aldosterona e de síndrome de Cushing subclínica (ou seja, excesso de produção de cortisol sem manifestações clínicas) foram subestimadas nesse estudo.
A produção hormonal excessiva sempre deve ser investigada em pacientes com incidentalomas adrenais, já que em diversas ocasiões os sinais e sintomas não são evidentes, isto é, o quadro é subclínico. 
Vejamos como é feita a avaliação hormonal dos incidentalomas de adrenal…


Feocromocitoma

Feocromocitomas são tumores derivados da camada mais interna das glândulas adrenais, a medula. A produção de metabólitos de adrenalina e noradrenalina por essas lesões pode causar aumento da pressão arterial e episódios de palpitação, suor excessivo e difuso, dor de cabeça, palidez e tremor. Quando o paciente apresenta alta probabilidade de possuir um feocromocitoma, coleta-se sangue para dosagem das metanefrinas fracionadas. Nos outros casos, a dosagem das metanefrinas e catecolaminas pode ser feita na urina de 24 horas.


Síndrome de Cushing

A produção excessiva de cortisol por uma lesão adrenal pode levar a um quadro de síndrome de Cushing. Estes pacientes podem apresentar obesidade no tronco com perna e braços finos, rosto redondo e avermelhado, pele fina e frágil com estrias roxas e largas, acúmulo de gordura formando uma corcova sobre as clavículas e atrás do pescoço, além de fraqueza muscular. Nos incidentalomas adrenais, esta sintomatologia exuberante é pouco frequente. No entanto, pressão alta, alteração nos níveis de glicose e colesterol, além de um risco aumentado de fraturas de coluna podem fazer parte do quadro. O exame visa flagrar se existe secreção de cortisol clinicamente significativa. O exame de preferência é o teste de supressão com 1 mg de dexametasona. A dosagem de cortisol em urina de 24h deve ser realizada também, mas a chance de alteração é maior nos pacientes com sinais e sintomas de síndrome de Cushing.


Hiperaldosteronismo primário

A aldosterona é um hormônio secretado pelas adrenais que faz nossos rins reterem sódio e excretarem potássio. Quando em excesso, a aldosterona causa hipertensão arterial. A avaliação hormonal do excesso de aldosterona está indicada apenas para pacientes hipertensos ou com níveis de potássio baixo, mesmo se o paciente estiver usando diurético (medicação para controlar a pressão arterial que aumenta a perda de potássio na urina). Os tumores produtores de aldosterona também devem ser removidos cirurgicamente, já que o excesso de aldosterona aumenta o risco de doenças cardíacas e acidente vascular cerebral.


Carcinoma (câncer) adrenocortical

Felizmente os carcinomas adrenocorticais são pouco frequentes. Costumam ser grandes e podem secretar qualquer tipo de hormônio esteroide (cortisol, aldosterona, estrogênios ou androgênios). O quadro é muito variável (desde tumores não funcionantes até síndrome de Cushing). As dosagens hormonais devem ser feitas em todos os pacientes com lesão suspeita de malignidade. Devemos investigar síndrome de Cushing, excesso de produção de andrógenos e de aldosterona (somente nos hipertensos).

Referências:
1- The adrenal incidentaloma - UpToDate On Line
2- Fassnacht et al. Management of adrenal incidentalomas: European Society of Endocrinology Clinical Practice Guideline in collaboration with the European Network for the Study of Adrenal Tumors. European J Endocrinol 2016.


Dr. Mateus Dornelles Severo
Médico Endocrinologista
Doutor e Mestre em Endocrinologia pela UFRGS
CRM-RS 30.576 - RQE 22.991

Texto revisado pelo Departamento de Adrenal e Hipertensão.

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

Vale a pena suplementar iodo para tireoide?

Modismos podem ser perigosos

Alguns modismos são potencialmente perigosos. A suplementação de iodo com a intenção de prevenir doenças tireoidianas, na grande maioria das vezes, causa mais prejuízos do que benefícios a saúde. Pessoas com disfunções leves ou nódulos, principalmente se não diagnosticados, correm risco ainda maior de enfrentar problemas causados pelo uso indevido de iodo. Vamos entender por quê...

Imagem: Public Domain Files


Iodo e hormônios da tireoide

O iodo é considerado um micronutriente com distribuição variável na crosta terrestre. Isto quer dizer que em algumas regiões geográficas, especialmente áreas montanhosas e regiões afastadas do litoral, podem ser carentes de iodo. Nossa tireoide usa cerca de 52 mcg (1000 mcg equivalem a 1 mg) de iodo todos os dias para fabricar o T4 (65% do peso em iodo) e o T3 (59% do peso em iodo). Para garantir o aporte correto deste nutriente, é recomendada uma ingestão diária de iodo de 150 mcg para adultos, 220 mcg para gestantes, 290 mcg para mulheres amamentando e 90-120 mcg para crianças de 1 a 13 anos de idade.


Fontes de iodo

Em nosso meio, a principal fonte de iodo é o sal de cozinha. No Brasil, por lei, cada quilo de sal possui de 15 a 45 mg de iodo. Esse valor foi ajustado no ano de 2013 (antes, cada quilo de sal tinha de 20 a 60 mg de iodo), após estudos em que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) detectou ingestão excessiva deste micronutriente no nosso país. Além do sal de cozinha, o iodo também pode ser encontrado em frutos do mar, em algas e em alguns medicamentos como a amiodarona, por exemplo. Suplementos a base de iodo como a solução de Lugol e a SSKI possuem quantidades astronômicas de iodo! Enquanto uma gota de Lugol tem 6,35 mg, uma gota de SSKI tem 38,5 mg de iodo. Ou seja, uma gota de Lugol possui 42 vezes mais iodo do que o recomendado (!) e uma gota de SSKI, 256 vezes (!!!). Definitivamente, nossa tireoide não precisa de tanto iodo! E o pior, pode ficar doente com esse excesso.


Iodo demais não ajuda quem não tem doença...

Um dos motivos de não necessitarmos de tanto iodo é a autorregulação tireoidiana. Graças a este mecanismo, a tireoide consegue manter a produção de hormônio na medida certa se não houver carência grave de iodo ou doença na glândula. As células da tireoide quando expostas a grande quantidade de iodo param de captá-lo e diminuem a produção de hormônio. É o efeito Wolff-Chaikoff. Dentro de algumas semanas, em pessoas saudáveis, há um escape e a tireoide retorna a captação do iodo para manter a produção de hormônio constante. Em outras palavras, não adianta fornecer iodo demais. A tireoide usa até um limite e o excesso é ignorado, a menos que haja problemas com ela...


...e, em quem tem doença na tireoide, pode causar hipertireoidismo...

Em pessoas com doença na tireoide, mesmo que não diagnosticada, o excesso de iodo é capaz de causar problemas. Quando há bócio endêmico ou nódulos autônomos, o excesso de iodo ofertado é captado e transformado em mais hormônio. Nesses casos, a pessoa que ingeriu iodo excesso desenvolve HIPERtireoidismo. Além disso, em alguns casos, dependendo da quantidade de iodo a que a tireoide foi exposta, pode haver dificuldades no diagnóstico preciso, já que o excesso de iodo pode interferir na correta interpretação de exames como a cintilografia, por exemplo. O quadro de hipertireoidismo induzido por iodo costuma durar de 1 até 18 meses e o tratamento consiste em evitar a ingestão de mais iodo, tratar os sintomas e a doença tireoidiana de base. Por fim, idosos apresentam risco maior de HIPERtireoidismo induzido pelo iodo pois frequentemente possuem nódulos ou disfunções tireoidianas assintomáticas.


...ou hipotireoidismo

Pessoas com tireoidite crônica ou de Hashimoto, especialmente se não tiverem diagnóstico, com história de tratamento com iodo radioativo no passado ou de cirurgia na tireoide, além dos pacientes com tireoidites silenciosa, subaguda ou pós-parto, podem desenvolver HIPOtireoidismo quando expostos a excesso de iodo. Estes pacientes, diferentemente das pessoas saudáveis, não conseguem escapar do efeito Wolff-Chaikoff. Isto é, o excesso de iodo acaba por inibir a produção de hormônio por parte da tireoide. Mulheres grávidas devem ter cuidado redobrado, já que o iodo atravessa a placenta com facilidade, e o excesso pode inibir a tireoide do bebê. Felizmente, o HIPOtireoidismo nestes casos costuma ter resolução rápida após suspensão da exposição ao iodo, a não ser que já houvesse doença tireoidiana não diagnosticada antes do início da suplementação.


Suplementação de iodo é um problema de saúde pública!

Diversos estudos populacionais mostram que o consumo excessivo de iodo pode causar problemas à saúde, especialmente hipotireoidismo e tireoidite de Hashimoto. Na contramão da evidência científica exitem diversos defensores da suplementação de iodo para prevenção ou tratamento de doenças tireoidianas. Isto é um equívoco grave e um problema de saúde pública. Ora, se também há estudos mostrando que consumir açúcar em excesso causa obesidade e diabetes, por que estimular pessoas a fazer uso de um tratamento potencialmente deletério como a suplementação de iodo? É algo que nem a ciência consegue explicar...

Fonte:
1- Iodine-induced thyroid dysfunction - UpToDate OnLine.

Dr. Mateus Dornelles Severo
Médico Endocrinologista
Doutor e Mestre em Endocrinologia pela UFRGS
CRM-RS 30.576 - RQE 22.991

Texto revisado pelo Departamento de Tireoide.

Diabetes e a pandemia de COVID-19

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